Bem-vindos!!!

Sejam bem-vindos a este espaço que eu criei para partilhar um pouco do que que chamo de minhas poesias. Espero que seja um lugar agradável e interessante para todos que o acessam. Boa leitura!

Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Pedido


Meu Deus, eu estou cansado!
Dá-me forças para vencer o dia e não me entregar à destruição e ao caos que, estando à espreita, tentam se apoderar de mim. Dá-me ânimo para manter os olhos abertos e enxergar as limitações que me puxam para o abismo existente do outro lado sala. Concede-me lucidez para compreender meus atos e assumir minhas culpas diante de mim e dos outros. Abre-me caminhos entre pedregais e espinhos, que se lançam alvoroçados por onde passo. Faz-me esquecer a carne, a beleza, o ego, as superfícies da minha própria alma, e mostra, a mim, um oásis onde descansar das angústias, medos, desejos e solidões. Guia-me até os horizontes que contemplo em sonhos e dá-me coragem para vencer os morros e os muros que tentam separar-me dos meus objetivos. Ensina-me como amar o outro e manter os afagos livres de receios. Livra-me deste mundo de preconceitos e faz-me guia da harmoniosa essência que a Natureza projetou em mim. Sobretudo, enche este mundo de chuva e solidariedade para que ao gado não falte pasto, para que na mesa não falte pão, para que nossas palavras sejam de gratidão por aquilo emanado do Céu, que venha se esparramando pelo chão até chegar a todos os necessitados, e que tua Graça baste a todos, tal qual a expressão do teu Amor infinito, diante de tanta incompreensão. Deus, faz o Sol apagar durante a noite e as estrelas brilharem mais, o Oceano soprar seus ventos; faz a brisa abrandar meus ânimos – para que o sono venha leve e o descanso seja o prêmio depois de tantas labutas. Deus – já é dia: expresso minha gratidão.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Oração frutífera


Deus, abençoai o cajueiro do meu quintal
que me contempla, de manhã cedo, com um sorriso amarelo e doce
por ser tão doces e amarelos os seus frutos
Deus, abençoai a mangueira da vizinha, cuja sombra refresca minha janela e me alimenta com suculenta carne e alegra o meu paladar com seu sumo
Deus, abençoai a amoreira da minha rua, aquela que me toca com carinho, nos meus caminhos repetidos de todas as manhãs
Abençoai a pitangueira que vermelha, do seu canto, me lança um alerta: “me coma”, e eu, com pressa, sigo deixando lá lindos frutos a secar ao sol e alimentar borboletas passarinhos em seus passeios matinais
Abençoai o jambeiro que, em seus dias alegres, joga um tapete vermelho na entrada do meu trabalho, me fazendo nobre naquela hora
Deus, abençoai a seriguela, a azeitona preta, o araçá, o sapoti, a jabuticaba, a pitomba, a gogoia, a graviola, a romã, o jenipapo e todas as frutas da minha infância que eu já nem vejo mais
Abençoai, também, a melancia que devorada com gula e sem pudor por meu pai no seu lanchinho da tarde
Deus, abençoai a aceroleira do sítio do meu pai, aquela que joga vitamina no meu corpo após o guloso engolir e o saborear de línguas sedentas roçando entre os lábios
Abençoai a banana, o melão, a maçã, a pera, a ameixa, o morango, o mamão e o abacaxi que trago do mercado por não poder trazê-los da plantação para encher minha mesa
Deus, abençoai o pomar de limões, a matinha de açaí, o bosque de goiabeiras e a imensa alameda de coqueiros que vez ou outra acompanha meus passos em finais de semana ou feriados prolongados
Abençoai a laranjeira que vejo brotar viçosa por entre muros do emaranhado de prédios dessa cidade
Deus, abençoai os oitizeiros e os corações de negro que servem de abrigos nos dias quentes e chuvosos
Abençoai todos aqueles frutos que perecem no final da feira e perdem sua existência inutilmente por não haver quem as queiram
Abençoai, Deus, toda a terra de todos os lugares longínquos e próximos, para que prosperem e forneçam de suas entranhas tudo aquilo que necessitamos para nos alimentar, tal qual o Maná que um dia enviaste dos Céus para matar a fome e alegrar o povo teu
Mas, sobretudo, abençoai aquela criança que, em plena manhã, se atira entre cachos de uva em plena manhã – para nos fazer rir e chorar pela graça e as maravilhosas delícias da vida.
Abençoai.
Amém.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Esperando um domingo


Queria um domingo para acordar com calma, sem pressa, sem ônibus, sem lágrimas, sem sentidos. Queria um domingo para plantar árvores, regar as plantas, colher os frutos da simplicidade. Queria um domingo para amar devagarzinho, sem hora, sem medo, sem esperar o momento do fim. Queria um domingo para contemplar estrelas, falar baixinho, expor carinhos, descansar. Queria um domingo para matar saudades, salvar borboletas, cantarolar. Queria um domingo para chorar sozinho, sorrir com amigos, sentar à mesa com meus pais, irmãos e amigos. Queria um domingo para olhar o horizonte, ver o sol se por e dormir bem quietinho ao chacolhar das águas do mar e acordar tranquilo, para esperar um novo domingo.

Memória


Guardo com carinho os momentos vividos juntos a ti: o teu olhar alegre a me contemplar, o passeio na praça, o lanche da tarde, o riso solto fora de hora, o motivo da minha poesia, a razão da alegria que ficou tanto tempo marcando passo... Tantos foram os momentos a viajar contigo na cabeça, esperando teu caloroso abraço, o desejo partilhado, a cumplicidade brotando em cada passo, em cada gesto da alegria estampada em nossos dias. Remoendo saudades, sonetos, canções – vem as emoções de um tempo ido. E hoje, o que somos: apenas nós mesmos a dividir um espaço.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Me perdendo


Nem sei mais quantas almas tenho. Ando me perdendo de mim tão facilmente e tantas vezes que nem sei o que resta. Quanto de mim sobra para construir o futuro, não sei. Não sei se sigo, durmo ou canto. Ando me perdendo, me dando de graça aos olhares desencontrados, nos desejos implícitos, naquilo que vejo, toco e sinto. Ando me perdendo de muitos aos pouco. Não sei quantas almas ainda tenho. Num dia sou poeta, no outro estrangeiro em minha própria essência. Hoje me vejo no espelho e encaro, também, as minhas perdas: umas falam muito, outras calam por completo – mas acabam exercendo algum poder sobre mim. Ando me perdendo tão rapidamente que nem meus olhos – reconheço. Nem sei quantas almas tenho: às vezes passo horas observando o horizonte sem dele nada esperar: me vejo naquele pássaro fugidio em busca de novas paragens. O tempo tem sido propício, mas as energias continuam se dissipando: e eu, aqui, me perdendo de mim. Não sei quantas almas tenho: hoje sou um humano em busca do encontro comigo e de alguma purificação.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Passatempo


Passo o tempo colecionando desejos
Construindo listas de planos e inquietações
Até chegar à compreensão de mim
É o cansaço que transforma em sono a tristeza que galga impaciente por me atingir.
Nesta hora, a armadura da consciência lança-se sobre mim e protege-me
da nostalgia até que ela desapareça.

Universo agora



O Universo é tão amplo
E, ao mesmo, tempo limitado diante de mim.
Aqui minha imaginação é contida e meus desejos não subvertem qualquer razão.
É sempre a hora de parar, pensar e, depois, agir.
Pela primeira vez, construí um universo sem seu elemento principal: a infinitude.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Saudades

Ah!, que saudade tenho do beijo rápido, do voo do pássaro, da solidão planejada, das luminescências da emoção...
Ah!, que saudade tenho do riso, das brincadeiras, das canções cantadas com desafino!
Que saudade tenho do passado – e do pássaro que sempre voou em infinitas emoções...

Eu

Da primeira vez que construí minha face, fui me perdendo um pouco de mim
Assim tão longe, assim tão calmo, assim tão terno

Tenho em mim tantas emoções – mas me dói o reencontro com o espelho
Há sempre palavras querendo saltar ao longe e pedem significação

Há tantos pensamentos em mim – mas nenhuma constrói os sentidos nascidos no exato momento do encontro...

Estradas

Quando os olhos exigiam choro – sorri
Pedi uma bênção e segui
Na vida também há estradas esperando a hora da partida.

Pais e filhos

Como pode pais tão nobres gerar filhos
tão fora do caminho?
É preciso compreender: nisso também há vida.

terça-feira, 20 de março de 2012

Tempo

É manhã
O outono logo chega
Brilha o meio Sol
Um dia – não contaremos mais o tempo

É tarde
A noite logo vem
E o pulso pulsa
O sangue esquenta e tenta escapar das veias

É noite
O dia logo vem
E o coração bate
Chegará – a hora de acordar

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


Um dia haverá apenas o brilho de estrelas novas a iluminar os céus...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Despedida

Aos poucos vou me desiludindo de mim mesmo
Seguindo um compasso fora de ritmo
Levanto bem os braços e me despeço
É mais um que parte para se repetir inúmeras vezes
Nos horizontes dos tempos infindáveis

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O amor

Para Josi

Quando o amor vem – é assim
Surge de mansinho
Ou como uma tempestade
E aos poucos vai se tornando essencial
Até invadir por completo meu pobre coração

Depois de acostumado
Ama cada vez mais
E tua presença é a brisa que acalenta o meu amor

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

No espelho

Contemplei minha própria morte quando olhei minha alma no espelho...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano velho

Estou tecendo sonhos para o ano que virá
Ah, se meus sonhos coubessem em mim...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ave Maria

Vida e morte brotam do mesmo chão
Na cidade grande, que anoitece e amanhece com seus gemidos angustiados, não é difícil morrer
Solitariamente se nasce e morre
Ao som de um sopro ou de um eterno “Ave Maria”

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Perdão

Me perdoe se a roupa está surrada e o tempo, frio. Perdoe meu olhar cansado, minhas rugas e minha voz triste. Perdoe minha falta de sono, meu grito, meu choro, a exposição das minhas dores e emoções. Perdoe minha falta de amor e compreenda – neste momento, estou existindo somente pra mim...

sábado, 29 de outubro de 2011

Mais uma elegia

 Não é difícil compor
Mas uma elegia é feita de sofrimento e dor
Pela partida de um ente querido
Que vai em silêncio nas noites ou manhãs

É difícil compor uma elegia quando a dor se torna tão forte
Que não cabe espaço para dois sentimentos: tristeza e inspiração
É difícil escrever quando os olhos choram e as mãos tremem
Ou quando não sabemos onde esconder o rosto

Uma primeira elegia para Marcela
Que partiu silenciosa na manhã de segunda-feira
Deixando o brilho da pouca idade se esparramando sobre nossos corações
Declamando paz ao mundo, revelando a eterna brevidade da vida

Depois, seu pai, Sebastião (meu segundo pai)
Foi embora desse mundo nesta manhã de sábado sem anunciar partida
Todos morando nos campos Elísios
De onde ninguém mais volta

Uma elegia nunca expressa todos os sentimentos
Nem os significados das palavras nem a vida das pessoas
Que partiram sem dizer nada
E não voltam pra dizer

Uma elegia é muito para mim
Duas elegias desgastam meus sentidos
E a premonição da terceira
Me faz desejar nada saber