Bem-vindos!!!

Sejam bem-vindos a este espaço que eu criei para partilhar um pouco do que que chamo de minhas poesias. Espero que seja um lugar agradável e interessante para todos que o acessam. Boa leitura!

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

É fácil morrer


É muito fácil morrer, sobretudo quando tudo à sua volta conspira por seu fim. É fácil morrer e este fato transformou a morte em algo tão familiar a ponto de banalizar-se em muitas ocasiões. E a banalização do ato revela-se tão cruel e iníqua a ponto de não poder justificar-se em suas significâncias. Morrem-se em lugares tão impróprios que é preciso perguntar-se: por que? Morre-se na esquina de uma avenida, no trajeto entre a casa e o trabalho, e em muitas outras situações, entre elas: nos momentos de diversão, riso e ódio. Morre-se por bobagens e por vontades. Morre-se porque o outro perdeu o controle de si e antecipou sua morte. Morre-se tão facilmente que tornou-se perigoso – existir. Morre-se todos os dias e sempre porque mata-se todos os dias e sempre. Mata-se também por maldade, por suspeita, por brincadeira, por teste, por dinheiro e, também, por nada. Mata-se porque não compreende-se o valor da vida patrocinada por deuses. Mata-se em qualquer instante e toda a vida está por um triz da morte. A vida e a morte brotando do mesmo solo o tempo todo. Dia desses, enquanto caminhava, foi-me perguntado: “onde houve um homicídio aqui?”. Eu, estarrecido, respondi: “Não sei!”. E não sabia mesmo. A morte passara tão perto e eu, tão absorto na vida, não percebi sua aproximação. O caçador de notícias de morte tinha uma missão a cumprir: divulgar a morte a fim de banalizá-la em suas imperfeições. E eu, tão perto, sentia mais uma vida ir-se e dar lugar a morte anunciada naquele momento. Fora o choque de dois substantivos tão amalgamados a ponto de não saber-se qual era o concreto e o abstrato. Outro dia, eu andava no centro da cidade e encontrei a morte. Fitei-a de perto, assim, em instantes: um gato perdera a vida ali, na esquina, atropelado. Era a vida mais uma vez se dissipando sem anunciar-se, sem ruídos, sem sentido. O gato, assim como o homem assassinado não teria outra vida para usar? Não, decerto. Era a morte nivelando ambos os seres em suas insignificâncias. É muito fácil morrer, pois a vida é frágil e a morte está sempre à espreita, aguardando o momento de desferir o perigoso bote. Morre-se facilmente porque mata-se facilmente. E tudo transforma-se nas mais vis rotinas. Cruel em essência, onde seres tão vivos ceifam a vida de outrem. É a morte banalizando a vida de seu modo mais mesquinho. É fácil morrer porque “viver é muito perigoso”. E eu, desandando-me em saudades, choro pela vida ida de todos os seres que se foram no momento incoerente do ato sedutor e lisonjeador da morte. Assim como a flor despetalada, é a vida que perde-se para a morte: e não há mais volta.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O ônibus

Sempre considerei o transporte coletivo uma comunidade, na qual muitas emoções são expressadas. É nesse tipo de transporte onde vivem-se as situações mais cômicas e dramáticas. Quem dele depende cotidianamente para locomover-se nos centros urbanos, sabe o que quero dizer. O ônibus é uma espécie de parte de nossa casa ou pedaços de várias reunidas num só lugar. É um espaço de trocas culturais intensas (de vários os níveis). No ônibus, já vi serem comemorados vários aniversários; inícios de romances; brigas conjugais; amassos entre pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto; já presenciei paqueras entre condutores e passageiros; ouvi, muitas vezes, gritos e choro de criança; cenas de desrespeito com os limites dos outros; encontros calorosos; conheci pessoas interessantes com as quais mantive amizade e compartilhei muitas histórias e estórias. Ônibus (o que eu mais uso) é palco de muitas encenações reais e fictícias; é o local onde os artistas da vida e da fome se faz presente: uns pedem para comer, outros roubam para comer; uns cantam para comer, outros dançam para comer; muitos mentem para fazer sabe lá o quê! Enquanto o ônibus faz seu itinerário por vias retas, tortuosas ou longas, a sinergia da vida vai constituindo-se com muitas intensidades. O transporte coletivo é um locus de trocas de experiências: dores, alegrias, sucessos, fracassos, sonhos, enfim. No ônibus, já busquei olhares e evitei outros, por receio, desejo ou medo. Já estive tão próximo ao corpo do outro; o outro já esteve tão próximo ao meu corpo. Nele, já sorri muitas vezes sem motivo; também já amaldiçoei a existência. No ônibus, aprendi muitas canções novas; já tive ódio de outras. O ônibus já foi objeto do meu refúgio e motivo do meu desespero. Já subi num ônibus por vontade, já desci de muitos após reconhecer o erro. É do ônibus que vejo muitas coisas acontecendo lá fora enquanto faço e refaço meu percurso repetido do meu ir-e-vir diário. É o ônibus propulsor de emoções: cansaços, delírios, repulsa. É, também, onde encontramos os mais diversos cheiros: os básicos, os clássicos, os contemporâneos, os afrodisíacos e, também, os repulsivos (fortes ou mistos). Acima de qualquer coisa coisa, o transporte coletivo é um espaço onde se manifesta a solidariedade: pela grávida, o idoso e o deficiente sem assento onde descansar; pelos pedintes de todos os tipos, lugares e origens – sem falar em suas histórias/estórias e motivos. É o locus da s-o-l-i-d-a-r-i-e-d-a-d-e! Muitos (inclusive eu), já abriu a carteira para atender a um pedido ou realizar uma compra de um artigo que não se tinha necessidade somente para ajudar o outro trabalhador. Mas, para mim, a maior afirmação da ideia do transporte coletivo (ônibus) como uma comunidade e locus da solidariedade foi quando, por azar ou insígnia da nobreza de toda a irmandade, perdi minha carteira num ritual de apertos e balanços. Quem a achou se revelou na personificação de um ser distinto e leal: sem me conhecer, procurou-me no mundo cibernético e terminou encontrando-me para a entrega do tão esperado objeto. Sem dúvida, o transporte coletivo é o lugar onde forças distintas se movem – e onde seres expressam ou escondem sua grandeza.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Reinventando-me

Quando é imperativo o sentimento, decide-se reinventar-se. Hoje sou um artista com minhas várias faces representando nesse palco diário, onde minhas migrações revelam muito de mim. Sou, neste momento, um pierrô desandando em lágrimas por ser incapaz de escolher cores mais alegres. Sou um ator do tempo, cuja imaginação desviou-se pela falta do medo. Sou um artista em meu processo de aprendizagens e apreensões de saberes tão necessários quanto inúteis. Estou lúcido diante do espelho, e minha face mostra uma indiferença tão grande que não me reconheço. Estou lúcido para a vida. Sou um artista que não cansa de fazer poesia, pois nela está a energia que mantém meus passos no caminho. Sou poeta por natureza, artista por profissão, e caminhante da vida. Faço poemas porque sou incapaz de fazer risos. Faço-me artista por não saber ser, entre meus caminhos e gritos, apenas uma pessoa reinventando-se entre necessidades e obrigações sem fim.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Comum



Os dias são tão comuns. De manhã cedo, John Lennon abre o portão e deseja que eu tenha um bom dia. Cabral mostra os mapas dos descobrimentos, insistindo que eu bata as asas e alce voo para outras paragens. Pessoa declama um poema na sala enquanto Anita pinta, nas paredes, as cenas da minha infância e me faz chorar desesperadamente. Dostoiévski descreve, perfeitamente, minhas reminiscências, e alaga meu recinto de nostalgias e saudades. No teto, a paisagem de Dalí me leva às mesmas contemplações onde realidade e ficção se amálgama em ideias e pensamentos, confundindo percepções e sentidos. Martins bombardeia-me com epítetos e melopeias de suas novas construções e eu, derretendo-me copiosamente, lanço suspiros fatigados de inúmeras noites sem sono – é o sonho transformando em rochas todas as minhas aquiescências. É a luminosidade perturbadora do cotidiano que me mantém estático – tão estático quanto as minhas emoções.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A desiludida


De manhã cedo, parou à porta. Esperava que se abrisse a fim de realizar a entrega do pacote. Estava ali, quieta e muda sob o frio congelante e desolador. Esperava, pacientemente, que alguém abrisse, por dentro ou por fora, a porta que era o seu teste, a sua provação. Aos poucos desanimava, vez ou outra, sorria – para aliviar a tensão da espera. O pacote pesava-lhe nas mãos e o tempo passava sem que qualquer sinal da presença de alguém surgisse. O vento frio batia em suas faces como bofetadas. E a espera continuava dolorosa. De pé, segurando o pacote, via o tempo passar indiferente aos seus sentidos já tão massacrados pelo frio e pela angústia da espera. Ela sempre achara que as expectativas, seja de quem fosse, deveriam ser atendidas. Agora, sentia que as suas passavam despercebidas, uma vez que a porta não se abria. Sentia o cansaço invadir-lhe devagar, alojando-se nos braços, pernas, cabeça – até tomar-lhe por completo. Aos poucos ia desiludindo-se de si mesma enquanto dores seguiam dominando seu corpo. De cabeça erguida, tentava vencer a dor e aquecer-se com o pacote que, lentamente, ia encostando-se ao seu corpo e deslizando. Nada acontecia em derredor, exceto o soprar sempre mais insistente do vento frio. Aos poucos ia pulsando o coração na tentativa de resistir, mas percebia-se entregando-se, morrendo, suplicando mentalmente um socorro. Nada acontecia. As forças fugiam-lhe dos braços, as pernas se cansando – a entrega completa. Era a morte se anunciando naquela manhã. A espera terminava ali, com seu rosto frio e macilento colado na porta fechada. Era a face da desilusão mostrando-se ao dia que terminava ainda mais frio, com o vento uivando um sonido triste, pela espera incompleta daquela que morrera ali, assassinada pela desilusão. É. Um dia haverá apenas o brilho de estrelas novas a iluminar os céus.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Coreografia da segunda-feira

A manhã da segunda-feira começa com o “trimmmmm” do despertador anunciando que o fim de semana chegou ao fim e que, agora, é a hora de recomeçar a rotina. Não adianta jogar o importuno relógio na parede nem se cobrir novamente com os lençóis. As horas matinais não perdoam. Elas voam mais rápido que cometas. Entre passos trôpegos, é preciso levantar, separar as roupas e se jogar no banho para despertar. Vestem-se as roupas, separa-se a mochila. Acende-se o fogão, prepara-se chá, leite ou café e bebe-se às pressas. O pão assado come-se andando, para não perder-se o ônibus. O caminho é longo, o trânsito é ruim, o calor incomoda. “Vai ser um dia difícil”, pensa-se. Chega-se ao trabalho, abrem-se as portas, dá-se um “bom dia” sonolento e senta-se em frente ao computador. Checa-se o e-mail. Toma-se café quente para despertar-se. Recebem-se as ordens do chefe e iniciam-se os trabalhos. Ouve-se música, conversa-se com os colegas que se sentam do outro lado. Ri-se pouco, boceja-se muito. Produz-se menos. Chega a hora do almoço. Come-se, cochila-se, implora-se que as horas passem voando, como na noite anterior. O tempo nega-se, demora-se. Roem-se as unhas, pragueja-se um pouco. A comida pesa no estômago. Os olhos cerram-se. Dorme-se um pouco. Acorda-se. Trabalha-se novamente. As horas massacram, estacionam-se, param-se. Espera-se o final do expediente, mas as horas não passam. Suspira-se. Olha-se a hora. Falta pouco. Alivia-se. Faz-se a contagem regressiva. Já. Despede-se. Fecham-se as portas. Parte-se. Espera-se ansiosamente um novo final de semana, que voa como um cometa ensandecido. Dorme-se. E tudo se repete ao amanhecer.

sábado, 19 de maio de 2012

Cenário


A cada dia tenho mais certeza de que não sou deste mundo. Na festa, enquanto todo mundo ria, conversa e ri, eu imagino cenários para as personagens que surgem em minha mente, no momento em que deitado, observo a alegria dos outros ao redor de mim. Sempre admirei aqueles que sabem dançar e que, naturalmente, seguem os compassos sem dificuldades. Eu, não. Minha dança não passa de uma tentativa de movimento desconcertado. Do sofá, ouço a música que os festejadores dançam. Uns cumprem a coreografia do “vestidinho preto indefectível”; outros apenas fazem os passinhos que sabem, sem qualquer pretensão. Eu sou realmente estranho. Todos bebem vinho, eu tomo suco. Eles dançam, eu deito no sofá e leio poesia. Os outros falam coisas do cotidiano, de paixões, de política; eu, quieto e calado, imagino poemas, crônicas, contos, crio cenários e personagens enquanto a energia do momento vai brotando entre nós. Nesses momentos, lembro muito da pergunta feita por Clarice de que “gastar a vida é usá-la ou não usá-la”. Aí, questiono se o fato de eu estar deitado pensando e lendo poesia quando todos os presentes bebem e dançam, é gastar ou não minha vida. Estou usando-a ou não? Sinceramente, não sei. Só “sinto que não tenho parte nisso tudo”, e que geralmente “sou feliz na hora errada”. Será que meu modo tácito de ser também é felicidade? Eu acho que sim. Sou estranho, diferente talvez. Mas este fato não me torna superior nem inferior os outros. Sou apenas aquela criatura que não segue o ritmo, mas que tem um modo peculiar de “gastar a vida”. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Bon voyage

Uma pessoa que nasce com essência de pássaro, não se contentará, jamais, em pisar o chão todos os dias. Um homem-pássaro será sempre um “voador”, mesmo que seus voos sejam apenas em desejos e pensamentos. Esta criatura será um eterno Ícaro, querendo “voar, voar, subir, subir” - um viajante incorrigível. Lembro-me muito de uma frase encontrada num romance juvenil quando eu era ainda um menino. E esta frase me acompanha até hoje como filosofia própria. Ela diz: “Gosto de sonhar, porque alivia os pés cansados de só andarem na terra!. Essa frase representa bem o que sinto. Sonhar (de qualquer forma) é um modo de alcançar a libertação. Cada um tem sua maneira de se compensar, de promover a fuga de seus sertões. Eu tenho o meu. Eu ensaio uma fuga todos os dias – uma fuga do que está em derredor, uma fuga de mim mesmo. Mas não consigo sair de mim – nem fujo do que continua ao meu lado. É um desejo que nunca se realiza – a fuga não ocorre. Gosto de pensar, e construo o pensamento mais forte possível, transformo em objetivos e em sonhos. Como pássaro, minhas fugas se realizam por meio de viagens que formato nas horas vagas. Sinto imensa atração pelo distante, o quase inalcançável. Viajar é a forma que encontro para me libertar dos estresses mentais, do desassossego, das inconstâncias emocionais. É um modo de recobrar todas as energias que estão no vermelho. As paisagens novas, assim como comidas, cheiros, caras, são energias vitais. Assim, direciono meus esforços a essas satisfações. Estou planejando uma fuga para muito breve. Será uma grande realização – a satisfação de um desejo, vontade: uma viagem mais longa. Ah, sim, sou pássaro. E pássaros precisam descansar os pés – voando. Dia desses, pensei tanto na viagem “dos meus sonhos” que durante toda a noite, vivi, oniricamente, a experiência. Foi tudo tão real que, seu eu viajasse agora, eu reconheceria os lugares, viveria os diálogos como se já tivesse vivido tudo aquilo. Acordei hablando cosas, piensando, mirando muchas cosas, deseando mi vuelo para aquella tierra, querendo que o tempo passe logo. Tenho pressa de viver. Tudo está pronto em minha mente – e minhas emoções já foram construídas – esperando o momento da concretização da experiência real. Buen viaje, chico. Venga temprano. Hasta pronto, hasta luego. Bon voyage.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cena urbana


Ontem, durante minha caminhada pelo centro da cidade, notei uma energia que não é comum nas horas de “rush”. Apesar de ter sido deflagrada a greve do Metrô, o trânsito fluía e tudo acontecia sem complicações. Havia tranquilidade e paz na cidade. Os pontos de ônibus não estavam cheios, não havia barulho de buzinas e freios, não havia congestionamentos. As pessoas passavam tranquilas, olhando vitrines, comprando, passeando à toa, tomando sorvete. Pipoqueiros e carrocinhas de cachorros-quentes continuavam nos lugares de sempre. As lojas ainda exibiam as ofertas pós dia das mães e os lançamentos do outono-inverno que estava no fim. Eu caminhava despretensiosamente, mas alegre pelo dia incomum. Talvez houvesse um pouco mais de paz em mim e a minha alma respirasse mais livremente. No entanto, a imagem que mais me cativou foi a de uma moça sentada num banquinho em plena Conde da Boa Vista, posando um tanto alegre, um tanto indiferente, para o hippie que fazia caricaturas em papel branco. Apesar dos pesares, estamos vivendo numa época de paz. E o acaso continua a nos contemplar com imagens suaves e cenas leves para que a nossa rotina não destrua completamente o que ainda há de bom em nós.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Opinião sobre futebol

Num país de alucinados pelo futebol, é muito difícil ser diferente. Sobretudo, pela cultura machista que foi instaurada há muito e é ensinada desde cedo aos pequenos. Não gostar de futebol significa ausência de virilidade e isso põe a masculinidade de qualquer um em dúvida, principalmente, numa região como a minha, onde ainda sobrevive o mito do “cabra-da-peste”. Se ser macho é difícil, no Nordeste pode ser ainda mais, uma vez que nutrem-se os ideais provincianos onde macho é macho e fêmea é fêmea – não se admitem variações. Negar o futebol é excluir-se de um grupo, grande grupo. É um ato de coragem. Confesso que quando pequeno até expressei alguma simpatia por tal esporte, afinal, qual criança ou jovem não deseja ser aceito numa fase tão crucial de descobertas e identificações? Pois bem, eu jogava futebol com os outros moleques da minha idade – mas sempre soube que não me dava bem com a coisa. Mas tudo era diversão e eu me alegrava com aquilo, quando a bola entrava na trave e a galera gritava “gol”. Quando a gente vai crescendo, cresce também a maturidade e a gente torna-se capaz de assumir as preferências, a tolerar manias ou abandonar comportamentos. Foi o que aconteceu: o tempo me fez ver que futebol para mim não tem importância alguma. E se não gostar de futebol for ausência real de masculinidade, eu não sou homem; meus irmãos, pai, sobrinhos e cunhados também não. Assumir que não gosta de futebol é um ato de coragem. Lembro bem que um dia estava voltando para casa de ônibus, e para minha sorte ou azar, era um coletivo cheio de torcedores que estavam voltando de um jogo que havia terminado há pouco. No momento em que entrei, um cara olha para minha roupa e nota as semelhanças das cores que eu usava com a bandeira do seu time e me pergunta: “Você torce pelo Sport?”. Eu, corajosamente, respondi que não e que não gostava de futebol. Naquele momento esperei as vaias e os comentários que minha resposta pudesse suscitar. Mas, ele apenas calou – ainda que com ar de reprovação. Não sou contra quem joga ou quem gosta de futebol. Na verdade, reconheço que praticar esportes produz bem-estar e ajuda a desenvolver o senso de disputa, a garra, determinação, e uma série de características boas que ajudam o esportista a enfrentar a vida. O que recrimino no esporte, principalmente no futebol, é a ação meliante de indivíduos que é incentivada pelas torcidas des(organizadas), propagando imbecilidades e fanatismos que não admitem derrotas – e que se manifesta em atos de violência e barbárie no asfalto. Aos poucos, o que há de bom nesse esporte, vai se amalgamando com os atos da torcida despreparada – transformando valores em medos que sufocam a sociedade nos dias de jogo. Não tenho vergonha de, como homem, admitir que não gosto de futebol. Digo mais: cada vez que noto a barbárie se instalando no estádio ou nas ruas, lanço sempre mais, meu olhar de indignação e repúdio por tudo isso.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O poder das palavras


Dizem que palavra tem poder. Se isso for verdade, então os escritores são deuses poderosíssimos navegando entre pessoas comuns. Um escritor para conceber um livro, lança mão de incontáveis palavras recheadas de significações nem sempre compreensíveis. Seguindo a linha do poder, cada letra, cada fonema organizado a fim de formar uma palavra, são pedaços constituídos de força indescritíveis, até se transformar no poder propriamente dito. Assim, palavras pequenas teriam um nível de energia e força diferentes daquelas escritas com maior quantidade de letras, os palavrões literais. Um escritor, ao construir suas imagens visuais expressas em palavras, estaria fazendo uso do poder que dispõe em sua imaginação ou da realidade de onde extrai a força que vaga de uma boca a outra até se transformar, verdadeiramente, em força. O dicionário, objeto de consulta do escritor seria, também, todo poderoso, visto que nele encontram-se palavras com vários sentidos e todas as explicações metalinguísticas. Um escritor é um deus porque além de sua capacidade de criar vidas ao seu bel-prazer e estilo, vê palavras em tudo, pois tudo é vida aos seus olhos, se lhe for conveniente. Se as palavras têm poder, são os escritores os detentores de toda a cura para os males do mundo. Como escritor, espero que no momento em que lançar meu escarro ao chão, todas as liberdades sejam concedidas e toda cura siga para aqueles que dela necessita. Se palavra tem poder, CURA é a palavra que eu, como o escritor, desejo neste exato momento.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um pouco de mim


Sempre soube que não era uma pessoa comum, apesar de ter desejado ser como as outras – assim capaz de rir de um humor qualquer, me alegrar facilmente, me sentir satisfeito com alguma realização e acomodado no conforto simples do meu lar. Não. Nunca fui assim. É claro que sempre agradeci por tudo que eu recebia como presente ou dádivas. Mas, jamais o comodismo e a letargia me atacou fortemente. Não. Isso não é para mim. Sou uma pessoa inquieta em essência. Preciso do movimento. Da novidade. Preciso estar aqui e ali a fim de manter a alegria e o bem-estar necessários que produz alegria e felicidade em mim. Não sou uma pessoa comum porque não gosto do que os outros gostam – não gosto de futebol, não fumo, não bebo, não uso drogas, não vou a shows, não ouço qualquer estilo de música. Gosto dos bregas antigos, do tempo da minha avó e da minha mãe. Adoro cuscuz, feijoada, lasanha, galinha quisada, manga, graviola, ameixa, comida mineira, yakissoba, bife de qualquer espécie e sucos. Adoro os meus amigos. Adoro gente comum, sem frescuras, sem limitações. Gosto de dormir tarde e conversar com a criatura que estiver perto de mim. Acho magnífico deitar em camas grandes e lençóis fofos. Banheiros grandes são, para mim, símbolos de bem-estar. Gosto de reciprocidade. Ainda não consegui descobrir se sou uma pessoa muito seletiva. As coisas/pessoas me atraem naturalmente, despretensiosamente. Gosto de livros, mas não leio qualquer um. Ele tem que me escolher no momento em que direciono o olhar para a estante. Gosto de coisas que vão além da superfície. Me sinto alimentado por filosofia e psicologia. Meu pensamento é mais rápido que o meu desejo e vivo no “Mundo da Lua”, fazendo diariamente viagens mil à “Maionese”. Sou do tipo que tolera coisas que a maioria nem olharia. Aceito as diferenças. A pessoa que mais amo é minha mãe. Mas sou capaz de fazer tudo que estiver ao meu alcance para ajudar qualquer pessoa. Admiro pessoas excêntricas, extravagantes, que riem alegremente sem qualquer pudor. Gosto de cores fortes: preto, vermelho, verde-escuro. Acho maravilhoso ver matas, rios, paisagens, relevos, prédios gigantescos nas grandes cidades. Me provoca uma grande sensação de prazer andar solitário nas noites, pelo fato de contemplar o negror e o frescor das horas tardias. Sou eternamente apaixonado pela lua e gosto de sentir a areia da praia acariciar meus pés em caminhadas sem rumo. Acho extremamente delicado o toque do vento, o cair das folhas, o cheiro de frutas maduras, casas com jardim, pássaros voando e borboletas coloridas. Sou colecionador de selos, chaveiros, cartões postais, camisetas. Sou aquele que ama e é amado, mas prefiro a solidão, pois isto também me nutre. Só sei dormir/estudar ouvindo música tocando baixo. Não choro facilmente. Não tenho medo da morte. Busco sempre o que quero/preciso. Não tenho segredos, mesmo querendo exalar mistério. Sou transparente. Se você não enxerga, é porque não quer ver. Não gosto de fazer perguntas, mas responderei tudo se me alguém me perguntar. Detesto quem diz que me conhece. Já vivi situações das quais me arrependo e me envergonho, mas que foram importante para meu crescimento. Amo incondicionalmente. Me apaixono facilmente por olhares, sorrisos, barrigas, pernas e bocas – mas elas são sempre brisas leves, nunca tempestades. Gosto de músicas, filmes, peças de teatro e leituras melancólicas. De vez em quando me pego rindo sozinho de nada, no meio da rua. Admiro as pessoas que falam a verdade, que falam o que pensam e o que sentem, e que falam comigo com sinceridade. Gosto de olhar nos olhos. Respeito a todos. Meu herói é Hulk, o homem verde. Gosto que me chamem de louco – que riam comigo. Gosto de desenho animado, filmes infantis, gibis, cantigas de ninar, de contar histórias/estórias para crianças. Queria ter um porco como animal de estimação. Acho ótimo andar descalço. Sou defensor da liberdade, do ser, do estar. Gosto de altura e sempre desejei ser pássaro. Em vários sonhos contemplei inúmeras paisagens ao voar por aí indiferente – como se fosse uma descoberta há muito desejada. Sou uma espécie que ainda não conseguiu se definir em palavras, mas vou vivendo e com o passar do tempo, reconheço minhas manias, meus defeitos, meus sonhos. Sou, no fundo uma pessoa feliz e triste. Sou essencialmente simples. Percebo que vou me tornando cada vez mais humano – e ainda que me atormente um pouco a realidade, sei exatamente quem e o que sou.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A partida


Quando abri a porta, ela já estava partindo, calma e fria como sempre fora. Caminhava olhando para trás, como se esperasse algum impedimento para sua fuga. Dava alguns passos lentos e voltava a lançar um olhar longo e profundo na direção da casa. Observando-a às escondidas, deixava-a partir pelo caminho afora. Não poderia correr e gritar que ela parasse e, implorando que ficasse, expressasse toda minha emoção através de longos e carinhosos beijos em sua face, num gesto tão pueril quanto fraterno. Nada passou de um tímido desejo, imaginando uma ação que eu jamais seria capaz de realizar. Logo eu, que nunca demonstrei apego por nenhuma criatura, por nenhum objeto que fosse. Ali, parado, perscrutando meus próprios pensamentos, reconheci em mim, com uma franqueza ímpar, a iniquidade do meu gesto. Misturada com a sensação de natural impotência, uma lágrima rolou inconstante do meu rosto como se fosse um apelo de perdão. Via-a afastando-se sempre mais de mim, perdendo-se nas curvas do caminho, e eu continuava inamovível em minhas fragilidades. A falta de profundidade e a cegueira para a eternidade fora sempre a maior expressão das minhas vulnerabilidades, mas, naquele momento, fora doloroso reconhecer. Deixá-la partir solitária e muda na manhã fria, cortou-me o coração. Vê-la partir diante da minha indiferença e fraqueza foi uma dor que jamais esquecerei. Ela partiu. Até hoje, mantenho-me na janela com os olhos atentos, esperando o milagroso momento de seu retorno. Sei, porém, que ela nunca virá – e eu continuarei sem saber se ainda vive ou se mantém-se andando naquele caminho sem fim – e eu, eternamente incapaz de fazê-la deixar de seguir e dizer-lhe que, a despeito destas fraquezas, tenho por ela um amor infinito.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um pé nos trinta


Provoca-me certa angústia a antecipação dos cabelos brancos antes da fase que tanto tememos: os entas. Tudo bem que eu já estou na minha última etapa dos “inte” e meus pés pulam, mesmo contra minha vontade, nos “inta”. A juventude é assim – depois dos áureos dezoito ela se põe a correr como em danação. Quando chegamos aqui, o desespero é uma parte inevitável do processo, haja vista a necessidade de encarar a vida com uma outra maturidade, que se ainda não temos, precisamos buscar. Confesso que é a contragosto que lanço meu olhar no espelho e me vejo assim pululando em cãs esbranquiçadas. Sei, porém, que isso faz parte da mudança por qual passa o corpo no ritual constante e enérgico da vida. Não que isso venha a sufocar a existente mocidade verdejante e signifique a negação do seu status. No entanto, sua presença vem como algo ameaçador se não estivermos preparados para ela. Chegar aos trinta anos pode ser uma conquista ou uma decepção – basta olhar para si mesmo e fazer as perguntas básicas, as quais contemplam os ganhos espirituais, as conquistas pessoais (em maturidade e moral também) e as realizações profissionais. Além disso, pode-se olhar igualmente para o corpo e perguntar se o físico contempla a idade. As afirmativas dessas observações podem significar muito. Não tenho medo de ficar velho nem de encarar as mudanças que a idade vai provocando – no entanto, quero ter a consciência de que tanto o meu corpo quanto a minha alma acompanham a maturidade desejada para entrar nesta fase. Ainda tenho vinte e nove anos e sei que daqui a pouco estarei pisando os “inta” com os dois pés. Meu anseio é, apenas, resistir às exigências criadas por/para pessoas como eu. Afinal, o corpo pode ser velho, mas a juventude é, também, um estado de espírito – e este pode manter-se comigo até o dia que eu o desejar. Meus vividos quase trinta anos foram de alegrias, bênçãos e dores necessárias à construção da maturidade e do crescimento que fez a pessoa que sou hoje. Obviamente, vivo com alguma nostalgia minhas reminiscências e cultivo saudosismos de muitas épocas. Também arrependo-me de alguns poucos erros/deslizes/transgressões (ou qualquer sinônimo disso) cometidos em determinadas, mas tenho certeza que tudo foi aprendizagem – e para mim aprendizagem, mesmo dolorosa enriquece a existência. Carrego algumas marcas – as mesmas que expressam a intensidade que vivi a vida até o dia de hoje.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A música e a vida


Sempre ouvi dizer, principalmente pelas pessoas que estudam ou trabalham com música, que ela está presente em todas as ocasiões da vida – desde o nascimento até a morte. Se observarmos direitinho, é exatamente assim que acontece. Eu mesmo sempre me recordo de momentos quando toca uma música específica. Tem músicas que me lembram da infância; da adolescência; das farras em casa com a família; das brigas com irmãos; das festas de rua; da fase das descobertas; das que foram pano de fundo para os pequenos romances; daquelas que me consolaram nos momentos de desesperos e dores; das alegrias mil que já vivi nessa vida; de uma viagem; de uma amizade muito importante; de alguém que bateu na porta e ofertou um sorriso; da paquera na rua; e uma emoção que bate forte. A música tem o poder de despertar em mim (ou em nós) as mais sublimes sensações – de prazeres e dores. Neste exato instante, estou revivendo, por meio de um disco que toca, alguns sentimentos de outrora. Confesso, me sinto muito contente por isso. São tantas as canções que permeiam minha mente e remexem os meus sentidos. Tenho certeza que, assim como em mim, a música acompanha cada fase das outras pessoas. Por isso, pergunto: o que seria da vida sem a música, sem um sinal sonoro próprio para alegrar, entristecer, confirmar, confortar ou apenas confirmar a existência de cada um? Viva a música!!! Viva a vida!!!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O livro Retratos


Não é a ocasião de lançamento que faz nascer uma obra. Esta nasce muito antes, no momento que o seu autor a constrói em pensamentos. É assim: da ideia e do pensamento, ela surge fisicamente e passa a ocupar o seu espaço. Retratos é minha realização pessoal – por meio dele, começo a ser escritor em memória vegetal e me sinto feliz por trazer à luz um produto cultural de qualidade. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Resposta sobre Felicidade

Dia desses, um colega antigo me olhou e, abruptamente, perguntou se eu era feliz. Fiquei um tanto intrigado com o que poderia tê-lo levado a me questionar sobre felicidade, mas respondi: sou. Depois, ruminando alguns questionamentos, comecei a propor minhas próprias razões. Se ser feliz é ter família, emprego, estudo, amigos, o que comer, onde morar – então sou feliz. Mas será que felicidade é somente isso? Ou será que felicidade é isso tudo? Lembro que uma vez escrevi sobre o assunto para um blog. No texto eu citava Epicuro, o Marquês de Sade e outros. Ambos tinham uma visão diferente sobre esse sentimento que todos desejam. O interessante é que a mesma palavra recebe diferentes significados, depende apenas daquele que a define. Phillipe van den Bosch, por exemplo, acredita que a felicidade é um estado de satisfação, de contentamento, de alegria. Ser feliz requer a satisfação de todos os desejos. Pessoalmente, felicidade é um conceito relativo, complexo, utópico, subjetivo, e que nem sempre tem uma explicação aceitável. Às vezes noto que as pessoas confundem este sentimento com a alegria. A sucessão de eventos alegres é o que produz a felicidade ou a sensação desta. Meditando mais uma vez sobre a pergunta de meu colega, vejo que encontrei uma resposta: ele esperava que eu estivesse sempre sorrindo, alegre – mas eu não sou assim. Sou quieto, taciturno – mas essencialmente feliz. Se estou calado, ausente fisicamente, olhando o horizonte ou disperso numa leitura sem sorrisos, creia – estou feliz. Cada um constrói a sua – e esse é o meu modo de ser.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Feliz aniversário, Marcela!


Não sei se devem ser comemorados os aniversários de quem parte. Mas sei que se aquela brisa não tivesse levado-a, Marcela hoje estaria conosco, jantando à mesa, comemorando seus áureos 21 anos. Mas, ela partiu e hoje vivemos de sua lembrança. Sei que a morte é uma etapa da vida, mas nem sempre a aceitamos. Aprendi a respeitar esse momento, e mesmo não compreendendo a partida tão inesperada de Marcela, imagino que ela caminha leve e tranquila nos Campos Elísios celestes, onde anjos e deuses cantam e tocam trombetas de alegria. Aprendi que “viver é ato de contínuas despedidas. Se a vida não se detém em momento algum, então viver é estar sempre dando adeus”, como disse Daniel Leal. Creio que também haverá um reencontro – e com certeza contemplarei mais uma vez (ou eternamente) o seu sorriso.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sendo escritor...

Ser escritor tem o seu lado bom. Passei a perceber um sentimento agradabilíssimo se desenvolvendo a partir do momento em que um primeiro leitor do livro Retratos teceu vários comentários sobre o que eu tinha escrito. Eu, que fui na maioria das vezes, leitor, sinto um imenso orgulho de mim mesmo e alguma gratidão pelos leitores tão sinceros. Desde a semana passada, quando os exemplares passaram a ser distribuído, venho recebendo elogios isentos de lisonjas, o que me alegra infinitamente. Tem sido muito gratificante saber que Retratos está sendo adquirido por pessoas realmente dispostas a ler e interessadas em descobrir os eus das personagens de cada conto. Sei que essas pessoas em algum momento vão se identificar com o livro e/ou com alguma personagem. O que me alegra é saber que eu trouxe à luz uma obra realmente boa, de qualidade. É assim: aos poucos vou me tornando escritor até me transformar verdadeiramente em um.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O livro na estante

Sobreposto na estante da sala, mantinha-se juntamente com outras dezenas de títulos escritos em caixa alta berrando um “me leia”. Ele, como se estivesse ainda se adaptando ao novo ambiente, continuava ali, recostado timidamente no meio de todos aqueles estranhos companheiros. Percebera que estava começando por existir naquele mundo que a partir daquele momento, também era seu. Discretamente, com as orelhas ainda na posição original, sem marcas de dedos, com a capa ainda intacta, não esboçava qualquer pedido. Nada era urgente. Estava ali, existindo aos poucos, silenciosamente. Escrito em fontes com serifas, proporcionava ao leitor maior conforto. O papel fora escolhido para ser o melhor – um papel tem que cumprir bem sua missão e existir eternamente na memória vegetal, afinal toda missão deve ser cumprida plenamente. O papel polén 90g cumpriria a sua, a de trazer à luz letras carregadas de significações. Seu miolo fora projetado para ficar no centro de duas capas e orelhas bem feitas e bem escritas. Era a exposição de um sonho verdadeiramente construído à mão. Entre capas, o miolo gritava emoções dos infinitos eus das suas personagens simples e compostas. O amarelado de suas páginas e das capas regozijava-se como a aurora de um sonho novo e de uma esperança que vem anunciar a concretização do simples fato de ser livro na estante do seu autor – se esparramando na alegria de um projeto concretizado. Ser livro é assim: é estar na estante e nas mãos de um leitor que aos poucos se eterniza entre as palavras e as melopeias que só a alegria de publicar um livro produz.